Resumo
Este artigo analisa criticamente a interface entre os saberes ancestrais e a bioatividade dos alimentos, discutindo suas implicações para a educação em saúde em uma perspectiva decolonial e intercultural. Parte-se do reconhecimento de que os modelos biomédicos de educação alimentar tendem a desconsiderar as dimensões simbólicas, espirituais e ecológicas dos alimentos, reduzindo-os a meros compostos nutricionais. O problema central da investigação consiste em compreender como os saberes tradicionais. enraizados em práticas agroecológicas, fitoterápicas e rituais alimentares, podem dialogar com o conhecimento científico sobre bioatividade, oferecendo novos caminhos para a promoção da saúde integral. O objetivo principal é examinar, por meio de uma pesquisa bibliográfica integrativa, como o diálogo entre ciência e ancestralidade pode gerar práticas pedagógicas transformadoras na educação em saúde. A metodologia envolveu revisão sistemática e crítica de 17 artigos científicos nacionais e internacionais de acesso aberto, publicados entre 2017 e 2025, contemplando estudos de campo, revisões e abordagens de educação alimentar e agroecologia. Os resultados apontam que os saberes ancestrais contribuem para ampliar o conceito de saúde, articulando corpo, território e espiritualidade, e que a bioatividade dos alimentos deve ser compreendida também como dimensão cultural e política. Conclui-se que a integração entre epistemologias tradicionais e ciência moderna é fundamental para o desenvolvimento de uma educação em saúde emancipatória, sustentável e centrada na valorização dos territórios e das culturas alimentares locais.

Palavras-chave: Saberes Tradicionais. Bioatividade. Agroecologia. Educação Em Saúde. Interculturalidade.