Resumo
Os estudos analisados mostraram que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam alta prevalência de seletividade alimentar, caracterizada por forte recusa de alimentos, preferência por preparações específicas e repertório alimentar reduzido. Essa seletividade esteve associada, na maioria dos artigos, a baixa variedade alimentar e consumo insuficiente de frutas, legumes e verduras. Os achados também indicaram que essa restrição alimentar contribui para deficiências nutricionais recorrentes, principalmente de ferro, zinco, vitamina D, vitamina B12, cálcio e ômega-3, micronutrientes fundamentais para o desenvolvimento físico e cognitivo. Em diversos estudos, observou-se ainda que o padrão alimentar limitado pode interferir no crescimento e na adequação do estado nutricional. Além disso, os resultados evidenciaram que fatores sensoriais, comportamentais e ambientais influenciam a seletividade, sendo frequentemente citadas a hipersensibilidade a texturas, cheiros e cores, rigidez alimentar e dificuldades na introdução de novos alimentos. Alguns estudos relataram, ainda, que a seletividade pode coexistir com sobrepeso ou obesidade, decorrentes do consumo frequente de alimentos ultraprocessados. Este estudo, desenvolvido por meio de uma revisão narrativa da literatura, teve como objetivo analisar os impactos da seletividade alimentar no desenvolvimento de deficiências nutricionais em crianças com TEA. As buscas foram realizadas nas bases SciELO, PubMed e LILACS, considerando publicações de 2018 a 2025. Por fim, os achados mostraram que intervenções nutricionais adaptadas ao perfil sensorial da criança e realizadas com apoio multiprofissional têm apresentado resultados positivos na ampliação do repertório alimentar, embora a literatura ainda apresente poucos estudos de longo prazo avaliando esses desfechos.

Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista. Seletividade alimentar. Deficiências nutricionais. Intervenção nutricional. Desenvolvimento infantil.